Julie Melo Braga///
O programa Papo Calcinha do canal GloboSat Multishow apela para o imaginário de seus telespectadores. O programa, que é exibido das 23h30 à meia-noite, é um bate-papo, como o próprio nome já diz, entre quatro jovens mulheres (mas ao todo são seis) que contam suas experiências sexuais. Ludmila, Luhanna, Pietra, Gabriela, Cláudia e Gi, que compõem a nova temporada, fazem o tipo – ou o papel de – mulherões donas de si, que não têm problema algum em falar descaradamente (eu ia dizer “abertamente”, mas seria gentileza minha) sobre sexo. Não sobre sexo diretamente, até porque não são especialistas, mas sobre suas próprias aventuras “entre quatro paredes” – não necessariamente aí.
Até ser mulherão e dona de si, tudo bem. Falar de sexo na TV, também. Afinal, esse tabu já foi quebrado. O problema está em como isso é feito. Numa espécie de clube da Luluzinha, elas sentam no sofá e começam a trocar experiências, dúvidas, dicas, fantasias e por aí vai. Tudo de um modo bem pejorativo e sem freios. Está certo que ninguém ali é uma sexóloga para usar termos técnicos e científicos, mas o vocabulário utilizado beira o chulo e, portanto, o grosseiro. É verdade também que quem ainda não fez sexo, conversou sobre isso ou usou palavras depreciativas, um dia, muito provavelmente, irá fazer. Mas o ponto de debate é isso ser feito na televisão. Embora pareça – ou até seja mesmo – preconceituoso e machista dizer isso, pega mal para elas tamanha exposição de sua vida sexual. Será que essas meninas não têm pai nem mãe? Perderam de vez a vergonha?
Outra questão a ser levantada é: elas viveram mesmo isso tudo? Sim, porque a quantidade de histórias contadas é incrível. O programa vai ao ar de segunda a sábado e todos os dias rolam novos relatos sexuais. E são os mais variados possíveis. As “calcinhas”, como são chamadas, dizem já ter se aventurado nos mais diversos lugares, com o sexo oposto ou não (Luhanna é a bissexual assumida da turma), com um parceiro só ou não. Tem façanha para todos os gostos. Em algumas, elas se divertiram. Em outras, não. Ou essas meninas são mesmo muito vividas, ou tudo não passa de papo furado e de mau gosto para servir de entretenimento noturno.
Embora não se saiba se suas vidas sexuais realmente são e sempre foram assim, altamente ativas, elas estão expondo sua conduta no sexo do mesmo jeito. Os papos, elas batem entre si, mas sua intimidade é dividida com todos que as assistem. A mulher que tanto lutou por sua emancipação e por seu espaço na sociedade, hoje parece não se importar em denegrir sua própria imagem. Confunde liberdade com libertinagem.
4 comentários:
É o sexo e a figura feminina cada vez mais banalizados. Excelente crítica.
Obrigada,Miguel! Volte sempre!
Mulher,pare de escrever esse seu blog e vá transar tambem.Voce é muito careta para assuntos sexuais.
Não sou careta para assuntos sexuais e não preciso de conselhos para isso. Sou careta - e vou ser sempre - é para a vulgarização do sexo e totalmente contra mulheres que expõem despudoradamente sua vida sexual. Também não vou deixar de expor minha opinião a respeito das coisas num espaço que criei justamente para isso. Mas respeito a opinião de todos e, apesar de você ter se metido onde não devia, publico seu comentário, pois não sou a favor da censura.
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