Julie Melo Braga///
Um debate, com já era de se esperar, pautado pelas acusações mútuas. Assim foi o debate eleitoral de ontem, 28/09, da TV Sergipe. Dos sete candidatos ao governo do estado, apenas três participaram: João Alves Filho (DEM), Marcelo Déda (PT) e Professora Avilete Cruz (PSOL); únicos de partidos com representação no Congresso Nacional.
O debate já teve seu início com farpas trocadas entre os principais candidatos, João Alves e Déda. O democrata não negou sua fama de não falar bem e gaguejou muito. A objetividade também não foi seu forte. João era prolixo em suas perguntas e respostas e, por isso, excedia quase sempre o tempo limite. Ponto para Déda.
O atual governador, ao contrário, mostrou a boa desenvoltura de sempre, ao construir perguntas e respostas de maneira clara. Muito sabiamente, valeu-se de apelo direto, quando se dirigia ao eleitor, tratando como “você”. Déda usou fielmente seu tempo. Parecia que suas falas já haviam sido cronometradas. Tentando derrubá-lo, seu principal adversário foi bem, ao lembrar ao telespectador da grande capacidade oratória de Déda. No entanto, segundo João, ele estaria desatualizado com relação aos dados de que se utilizava. Ponto para João.
Já a candidata do PSOL, Avilete Cruz, atacou ambos os governos, claro. Embora lesse as perguntas que fazia, aproveitava bem as réplicas e tréplicas, indo ao ponto da questão. Diferentemente, os outros dois fugiam do assunto, a fim de sempre alfinetarem um ao outro. A adversária, porém, não deixou barato e – assim como fez no debate da TV Cidade – criticou a atitude de se enfrentarem paralelamente todo o tempo, deixando-a de fora. Ponto para Avilete.
Quando um candidato podia escolher quem responderia sua pergunta, Avilete nunca era escolhida. Respondia apenas quando tinha seu nome sorteado. Déda e João não perdiam uma oportunidade sequer de provocação. No final, ela agradeceu a atenção que lhe foi dispensada.
Avilete Cruz aproveitou ainda para questionar Déda sobre o passado terrorista de Dilma Rousseff e lembrou fatos como o uso da quebra de sigilo da filha de José Serra e o caso Erenice Guerra. O candidato petista defendeu, então, a presidenciável, afirmando que ela, como ele, lutou contra a ditadura. Ele chamou aquela atitude de agressão gratuita a uma “mulher de bem”. Pediu ainda que ela lhe perguntasse sbore o que fez no seu governo e o que pretende fazer. “O governador é fantástico”, ironizou João a postura de Déda sempre contornar a situação.
E assim encerrou-se mais um debate, regado a provocações e a respostas que não respondiam as perguntas. Não fugiu à regra dos demais debates. Não houve um grande momento, não houve o auge do debate, que pudesse ser crucial para confirmar ou mudar o voto do eleitor. Pode-se dizer, então, que o “placar” não saiu, mais uma vez, do empate.
5 comentários:
Esse artigo não tem por finalidade relatar os temas discutidos por cada um. Mas fazer uma análise, ainda que superficial e simplificada, de como se desenrolou o debate, no que se refere ao comportamento dos candidatos, e mostrar ainda a mesmice que toma conta dos debates políticos.
Excelente explanação. Parabéns, seu futuro será deslumbrante. =)
Muito bom artigo. Continue escrevendo assim...
Muito bom seu artigo. Concordo no foco de mostrar a mesmice dos debates políticos.
Obrigada a todos. =)
Julie
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